Consumo de TV por subscrição está a crescer
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por Correio da Manhã
Consumo de TV por subscrição está a crescer
TV será o meio de comunicação com maior crescimento
no futuro. O número de pessoas que passa cada vez mais tempo em casa a ver TV também contribui para o aumento
No futuro, o único meio de comunicação a crescer 'dramaticamente' será a televisão. A tese é de Jeffrey Cole, investigador norte-americano que esteve recentemente em Lisboa. Segundo este académico, a ideia de que a internet acabaria com a televisão é errada, já que só a alterou e esta está cada vez mais integrada na web.
Na verdade, o consumo de TV por subscrição tem aumentado em todo o Mundo, seja qual for a rede de distribuição (internet, cabo ou satélite). Só em Portugal, de acordo com dados do segundo trimestre deste ano, divulgados pela Anacom, 'o número total de assinantes continua a crescer, tendo ultrapassado os 2,37 milhões'. Este valor traduz um aumento de 47 mil clientes nos primeiros três meses de 2009 e mais 232 mil do que no mesmo período do ano anterior. Este crescimento, segundo o mesmo documento, deveu-se, entre outros factores, ao aumento da oferta de novas tecnologias de acesso e também do serviço de distribuição por cabo e satélite. E se o consumo de TV por subscrição tende a aumentar, o mesmo não podem reclamar os canais em sinal aberto (RTP, SIC e TVI), que em alguns dias registaram um share inferior ao do cabo (dados da Marketst).
'O modelo de negócio dos canais generalistas tenderá a desaparecer e terá de se adaptar ao modelo de negócio da TV não linear', diz à Correio TV Francisco Rui Cadima. Porém, sublinha: 'A TV não linear já não se pode chamar TV. É, no fundo, uma base de dados muito grande. É a pós-TV, já que a televisão clássica está a desaparecer'. Este professor universitário chama ainda à atenção para a existência 'de uma convergência de serviços'. E, porque estamos a atravessar uma crise financeira global, há uma maior necessidade de poupar. A tendência actual é para que as pessoas passem mais tempo em casa, poupando assim nas chamadas saídas culturais (museus, espectáculos). Também o aumento do número de licenciados desempregados, com preferências televisivas mais segmentadas, tem conhecido um crescimento. Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, publicados na semana passada, revelam que, dos 510 000 desempregados, 34,9% são qualificados. Estes dois factores poderão estar na base do aumento do consumo de TV em Portugal e no Mundo.
Um estudo do Instituto Gartner conclui que a transmissão de TV pela internet (IPTV) chegou no ano passado aos 19,6 milhões de clientes. Já a Parks Associates refere que em 2013 haverá 1,4 mil milhões de subscritores de serviços de televisão via internet. De acordo com esta pesquisa internacional, que visou sobretudo os Estado Unidos e a Europa, as pessoas, no horário nobre (das 20h00 às 24h00), preferem assistir a programas on-demand (VOD). Em Portugal, por exemplo, é já bastante densa a oferta de filmes, da ZON e da MEO, através desta opção. As novas caixas de distribuição permitem, aliás, que os clientes gravem os programas para ver mais tarde. Porém, o estudo da Parks Associates defende que os vídeos ‘on-line’ não roubam audiência aos canais generalistas, mas complementam-na.
Nos EUA, por exemplo, as operadoras de cabo têm a maior fatia das audiências. E a subscrição de IPTV cresceu 110% entre 2007 e 2008. Com o aumento deste mercado, a Thomson assinou esta semana um contrato com a empresa LiveTV para desenvolver um sistema de difusão de TV em tempo real nos transportes aéreos. Uma operação que faze jus à teoria de Jeffrey Cole: 'No futuro vamos ver TV em todo o lado. Seja no aeroporto ou na cozinha. Todos vamos ter um dispositivo próprio que nos permite ver TV'. Por isso, ter acesso à internet, onde quer que se esteja, sem a necessidade de um computador propriamente dito, é uma tendência já existente.
Outro estudo internacional, da Accenture Global Broadcast Consumer, reforça que os consumidores vêem cada vez mais conteúdos de TV em várias plataformas, contribuindo assim para a fragmentação da visão tradicional. Uma das concluões da pesquisa é a grande diferença no comportamento dos consumidores em mercados mais desenvolvidos face a economias pobres. Em países menos desenvolvidos, como México, Brasil e Malásia, foi manifestado três vezes mais interesse em assistir a conteúdos de TV em telemóveis.
FIBRA ÓPTICA AUMENTA
A Sonaecom, liderada por Paulo Azevedo, foi a segunda empresa a oferecer o serviço de TV através de fibra óptica, de acordo com um documento da Anacom. ATVTel foi a pioneira, em 2007. APT seguiu o exemplo e no segundo trimestre deste ano reforçou a oferta já existente no mercado nacional com o MEO Fibra.
ENTRETENIMENTO DOMINA
'Acrise económica trouxe mais espectadores à TV por subscrição em vários países, pois com ao aumento do custo de vida as pessoas passam mais tempo em casa', diz Roma Khanna, presidente da Universal Networks International. O grupo, que detém 70 canais temáticos, que chegam a 150 milhões de pessoas em 130 países, prevê uma facturação de 4.500 milhões de euros em 2010.
ZON LIDERA MERCADO
Ogrupo ZON/TV Cabo continua a deter a maior quota de assinantes, valor que se situava em 69% do mercado no fim do 2º trimestre do ano. OMEO da PT surge como segundo maior operador com 18,7% dos assinantes no mesmo período. Em terceiro surge a Cabovisão com 11,1% dos clientes.
Márcia Bajouco